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Clientes de empresária acusada de golpes se unem nas redes sociais

30 de novembro de -0001
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Seis clientes da empresária Patrícia Rodrigues de Morais, de 34 anos, acusada de aplicar golpes na venda de pacotes de viagens, procuraram a Polícia Civil para prestar queixas, em Goiânia, na quinta-feira (9). Uma delas, a empresária Luana Gomes, disse que foi criado um grupo no Whatsapp, com mais de 20 vítimas, para que as pessoas troquem informações sobre os prejuízos que tiveram e das tentativas de ressarcir esses valores.

“A gente criou o grupo para compartilhar esses dados. Outras vítimas estão aparecendo, vão colocando os valores [dos prejuízos]. Tem gente do Tocantins e de outros estados que participam”, contou Luana, que afirma ter perdido R$ 60 mil em um golpe.

Outra vítima que procurou a polícia é empresária Ariadne Edígio diz que contratou um pacote de viagens com a empresária, mas fico do lado de fora do hotel escolhido. “Com muito custo ela conseguiu me encaixar em local muito abaixo do que eu gostaria, só que eu tive que pagar o valor. O combinado era que, na volta, ela me estornasse, mas eu nunca recebi nada”, conta.

Patrícia já informou ao G1 e à TV Anhanguera que ainda tem dívidas no valor de R$ 300 mil com “5 ou 6 pessoas”, contraídas depois que ela “quebrou” financeiramente, em março de 2015. Apesar disso, ela negou ter praticado qualquer tipo de golpe.
A empresária responde em liberdade a seis processos judiciais, sendo dois por crime de estelionato e quatro ações de cobrança e execução. Além disso, também é investigada pela Polícia Federal, que apura como ela vendia moeda estrangeira sem autorização do Banco Central. Ela já teve dois pedidos de prisão negados pela Justiça.

A aposentada Anapolina Batista, de 76 anos, conta que foi lesada ao tentar comprar dólares da empresária para uma viagem aos Estados Unidos, em maio de 2015. Ela pretendia participar do casamento de uma sobrinha e da formatura de uma neta naquele país. A idosa diz que vendeu um carro e transferiu R$ 17 mil, mas nunca recebeu os valores de volta e perdeu as comemorações com os familiares.

“Elas [parentes] ficavam me telefonando perguntando como eu ia fazer, se eu não ia, e eu estava esperando ela me entregar os dólares. Jamais esperava ter uma decepção tão grande dessas!, lamentou.

Segundo o delegado Webert Leonardo, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), um novo pedido de prisão pode ser feito contra a empresária, que será intimada para prestar novos esclarecimentos nos próximos dias.

“Não está descartada um novo requerimento de prisão preventiva contra ela, desde que seja instaurado um inquérito baseado em fatos novos”, afirmou.

Defesa
Advogado de Patrícia, Guilherme do Amaral Pereira informou que as acusações de descumprimento de acordos não procedem. “Os clientes pendentes estão sendo pagos. Pode ter uma ou outra parcela em atraso, mas estão sendo pagas. A maioria não está em atraso”, disse ao G1.

A empresária, que é formada em administração e turismo, contou que, desde que teve o rombo, cerca de R$ 500 mil em dívidas. O valor, segundo ela, refere-se a um grupo de aproximadamente 30 clientes com os quais fez acordos extrajudiciais. Segundo a polícia, o prejuízo estimado é de R$ 1 milhão.

Patrícia diz que todos os problemas são relacionados a situação envolvendo sua atividade cambial. A empresária afirma que nunca deixou de “embarcar” nenhum cliente e que sempre “prezou pelo bem estar” deles, além do seu próprio.
Depois de fechar sua agência, ela atualmente segue trabalhando em casa, mas diz que o fato do episódio vir à tona atrapalhou sua atuação. “Isso tudo da forma como ocorreu atinge sua imagem. O que mais dói é ver quanto eu lutei e trabalhei e ver tudo isso acontecer. Não tenho como resolver tudo da noite para o dia”, afirmou, quase chorando.
Com os custos dos acordos que fez, Patrícia disse que mudou seu estilo de vida. As viagens glamurosas para grandes eventos na Europa ficaram no passado. Ela contou ainda que vendeu um apartamento e um carro para tentar equilibrar as finanças.
Apesar disso, ela segue morando em um apartamento de luxo no Setor Jardim Goiás, um dos mais nobres de Goiânia. Sobre acusações de que, mesmo endividada, segue ostentando, ela se defende. “Ostentando? Como vou ostentar algo que não vivo. Moro de aluguel e divido o apartamento com minha mãe. Não tenho nem carro. O padrão mudou muito. O tempo que tenho estou com minha família ou trabalhando”, afirma.

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