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Análise: com “falsos volantes”, Fla tem jogo na mão, mas sofre na bola parada

30 de novembro de -0001
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Pegue a mesma lente de aumento para enxergar a
goleada por 4 a 0 contra o San Lorenzo e a derrota por 1 a 0 frente o
Universidad Católica. A Libertadores tem muito mais cara de primeiro tempo no
Maracanã do que de segunda etapa com quatro gols – seriam cinco se Guerrero não
perdesse um pênalti. Mas o que seria daquela partida de estreia se Diego não marcasse
de falta? E que história o Fla levaria de Santiago se Toselli não se esticasse todo
e defendesse a batida de Guerrero? Ou a trave na segunda etapa não salvasse a
Católica no chute de Diego?

Futebol tem suas variações, suas
circunstâncias sutis, que podem mudar todos rumos de uma partida. Nas duas
partidas da competição continental o Flamengo sofreu pouco na defesa. No Chile,
porém, criou muito mais do que no jogo do Rio de Janeiro. Coincidência ou não,
os lances mais perigosos contra a meta de Muralha se desenrolaram da mesma
maneira nas duas partidas: jogadas ensaiadas em bolas paradas. No primeiro tempo,
o San Lorenzo ameaçou em duas cabeçadas perigosas – a segunda de Montoya raspou
a trave. 

A diferença para a partida Católica atende pelo nome de Santiago
Silva e o apelido de “El Tanque”. O atacante grandalhão, com cara de mau, tamanho e peso de zagueiro, não
tem lá muita habilidade com a bola no chão, mas é letal com a bola no alto. No
gol, Buonanotte toca curto, cruza na área, enquanto “El Tanque” sai da marcação
de Berrío e cabeceia sozinho no canto de Alex Muralha.

Márcio é o melhor do FlaZé Ricardo escondeu bem a escalação do seu
time. Surpreendeu Mario Salas, técnico da Católica, que vibrou por vencer “um
dos principais times do continente”. Márcio Araújo, William Arão e Romulo
formaram uma trinca no meio de campo. Mas, na prática, Arão e Romulo avançavam
e ficavam bem próximo de Guerrero até na saída de bola da Católica.

– Posicionei o Romulo do lado esquerdo e deixei
o Diego mais do lado direito. Percebemos pelos vídeos e encontros recentes da
Católica que têm setor direito muito forte, fazem triangulações e sobem muita
desenvoltura – explicou o técnico do Flamengo, na coletiva de imprensa.

De volta à equipe, Márcio Araújo foi o melhor
do Flamengo na partida. Desarmou, antecipou, recuperou bolas e ainda teve tempo
de ir ao ataque. Fez partida irretocável. Não foi surpresa que Romulo, ainda abaixo
do futebol que se pode esperar de um ex-jogador da seleção – mal também na
partida de estreia no Maracanã -, saísse e Márcio permanecesse. A sensação, por
sinal, é que Zé Ricardo tem mais confiança no desempenho de Márcio do que em
qualquer outro do trio de volantes do Flamengo.

Vacilo de Diego na marcação

O equilíbrio do sistema, que permitiu apenas
uma chance clara para a Católica – em falha clamorosa de Rafael Vaz, que
entregou a bola nos pés de Santiago Silva -, passava por Márcio Araújo. Muito
leve, o camisa 8 cobria os dois lados do campo e formava um trio com os dois
zagueiros. Quando Vaz perdeu uma disputa no campo do Flamengo – no primeiro
tempo, Márcio foi mais rápido que o jogador chileno e recuperou a posse para o
Rubro-Negro.

Sem um ponta de cada lado, como de hábito no
sistema usual de Zé Ricardo, Guerrero muitas vezes se deslocava pelas bandas do campo. O peruano saiu mais da área do que o habitual nesta partida. E viveu
noite infeliz. Foi quem mais finalizou no jogo, com seis tentativas. 

O camisa 10 Diego fez bons lances, num deles colocando Guerrero em condições de marcar – na finalização que bateu na trave. Diego também chutou falta na trave. Mas, na parte final da partida, talvez pelo cansaço, fez faltas seguidas. Uma delas permitiu a cobrança ensaiada de Buonanotte para o careca Santiago Silva. 

– Não digo que o gol de bola parada foi por desatenção, mas faltou um pouco de
conversa para que não pudesse sobrar tantos jogadores livres como
aconteceu. E não digo só o Santiago. Tivemos um pouco de problema
na bola parada. A equipe da Catolica vinha com muitos jogadores. Na
primeira bola, nós já tentamos mudar, conseguimos controlar, mesmo eles
tendo mais homens do que nós (na área). Na falta, não tinha marcação
individual. Marcamos por setor, e o Santiago teve a felicidade de ficar
sozinho e fazer o gol – admitiu Réver.

Vaz: saída de bola perigosa 

O Flamengo finalizou 16 vezes contra a Católica – uma a mais do que diante do San Lorenzo no Maracanã. Isso quer dizer que a produção do time funcionou. A blitz esperada por Zé Ricardo – um blefe, na verdade, da véspera da partida – partiu de seu time. O treinador encheu o meio de campo, espalhou Romulo e Arão, Diego e Everton, fechando os espaços no setor. Incapaz de entrar no campo defensivo do Flamengo, a Católica só fazia algo diferente pelos pés de Buonanotte. No segundo tempo, faltou atenção para travar as tentativas de Kalinski – em dois chutes de rebotes de bola aérea dos chilenos.

Outro ponto sensível neste time bem encaixado do Flamengo é a saída de bola da defesa para o ataque. Pela qualidade na canhota, Rafael Vaz tem total liberdade de sair jogando – tenta passes rasteiros verticais, não se inibe nem a buscar passe de peito na rebatida da defesa. Mas está vivo na cabeça de cada torcedor do Flamengo o erro que custou a vitória no Fla-Flu do 1º turno do Brasileiro do ano passado. E por muito pouco não valeu para Silva abrir o placar no primeiro tempo. Vaz é importante, tem bom desempenho na jogada aérea e tem a confiança de Zé, mas os adversários parecem já esperar um vacilo para aproveitarem a chance de marcar – seja num recuo precipitado, numa tentativa de toque mais longo ou no drible no setor defensivo. 

– O Vaz errou em alguns lances, mas acertou outros, criou triangulações com Trauco e Diego pelo lado esquerdo. Faz parte do jogo (o erro). Ali foi um pouquinho de desatenção, não sei. Mas ele tentou fazer o melhor e fez uma partida de bom nível. Esse erro é um detalhe em cima de algo maior que envolve o jogo – defendeu Zé Ricardo.

* Colaborou Raphael Marinho.

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