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Seminário internacional no Rio discute papel da periferia nas cidades

30 de novembro de -0001
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O debate sobre o papel da periferia e o seu lugar na cidade reuniu, hoje (16), no Galpão da Maré, na comunidade da Maré, na zona norte do Rio, intelectuais, pensadores e ativistas de organizações e universidades de 15 países, entre eles, Brasil Estados Unidos, México, Colômbia, Cabo Verde, Guiné Bissau, Portugal, Inglaterra, Itália e Índia. O Seminário Internacional é uma iniciativa do Instituto João e Maria Aleixo, um projeto da Rede de Desenvolvimento da Maré e do Observatório de Favelas, que é uma organização da sociedade civil que promove pesquisas dedicadas à produção do conhecimento e de proposições políticas sobre favelas e fenômenos urbanos.

“A nossa concepção, que orienta a nossa prática, é que as periferias têm potências. Passam por contradições econômicas, por conflitos sociais, são espaços afetados pela violência. Todavia, isso não pode ser um marco definitivo do olhar para as periferias. Elas precisam ser olhadas e sentidas a partir do que chamamos paradigma da potência”, disse o diretor do Observatório de Favelas e um dos organizadores do seminário, Jorge Barbosa.

O primeiro resultado deste encontro, que termina amanhã, já foi definido. É a criação de uma rede internacional formada por entidades que atuam nas periferias. A ideia é incentivar a troca de dados para criar e fortalecer ações e políticas públicas que respeitem a diversidade, a identidade, a cultura e a história de cada comunidade, independente do país em que estejam localizadas. “Uma rede colaborativa para a formação intelectual da comunicação de experiências e também na produção de conhecimentos, ou seja, fazermos pesquisas juntos, trocando metodologias e buscando financiamento para que a rede possa ter uma organicidade”, disse.

A professora Sílvia Ferreira, doutora em Sociologia da Universidade de Coimbra, em Portugal, disse que um dos conceitos levantados no encontro é a percepção da diversidade das periferias urbanas. “Uma das primeiras ideias aqui é que as periferias não são um todo uniforme, a partir de fora, meramente do centro, mas sim uma enorme diversidade de experiências e vivências, todas elas se resultam da relação com o centro, porque ele não existe sem a periferia. Por isso é fundamental se construir esta rede, que tem um aspecto transformador”.

Carta da Maré

No fim do seminário, também, será elaborado um documento, chamado de Carta da Maré. Segundo Barbosa o documento vai definir uma reflexão coletiva sobre o significado das periferias, buscando superar os estigmas de violência e estereótipos de carência, que marcam as periferias e as fragilizam na cena política. De acordo com o diretor do Observatório, é intenção, também, que o documento tenha um conjunto de proposições que ajudem a entender as diferenças das periferias, mas ainda o que há de comum desses locais em todo o mundo. “A partir dessa carta, que a gente possa estabelecer um compromisso desse conjunto de instituições e de intelectuais sobre o sentido, porque aí o conceito nos ajuda a pensar a política pública para as periferias a partir das suas diferenças”.

O diretor disse que a atuação do Instituto João e Maria Aleixo será fortalecida após o encontro, justamente em um momento em que a crise econômica se aprofunda no mundo. Na visão da professora Sílvia Ferreira, a agenda para atendimento às periferias sofreu atrasos com a crise.

“Usa-se muito na crise o discurso do medo do outro. Quando se aponta que determinados grupos sociais são perigosos, as estratégias políticas que ajudam a construir determinados grupos sociais que não pretendem perder o seu poder, impacta a construção das periferias. É uma discussão que pretende distinguir o bode expiatório, o perigoso, o que está do outro lado, aquilo que não queremos ser. Faz que muita gente fique com o discurso de extrema direita”, disse.

De acordo com os organizadores do encontro, as favelas e periferias são espaços de convivência, trabalho, estudo e lazer de uma parcela considerável da população urbana no mundo e se destacam também por aspectos econômicos. Jorge Barbosa informou que na Maré moram 140 mil pessoas. A região tem 4 mil estabelecimentos comerciais, o que, para o diretor, indicam a capacidade econômica de uma favela como a Maré, que tem também 44 escolas públicas.

“Isso mostra a potência dessa juventude que está sendo formada pela escola pública, apesar de todas as limitações de vencimentos e dos problemas de segurança que afetam as escolas. Temos centenas de grupos culturais de funk, de hip hop, de pagode, de samba. Temos projetos em dois centros culturais de qualidade que têm escola de dança, de fotografia, de cinema, de tecnologia, ou seja, da Maré que é uma das favelas do Rio de Janeiro. Quanta potência. Agora, essas invenções de moradores da Maré não têm a visibilidade que precisamos na cena pública contemporânea da cidade”, disse.

A professora Silvia Ferreira defendeu que houvesse uma proximidade maior entre entidades do terceiro setor que atuam junto às periferias e o poder público. “Há muito deste ideal possível que possa ser construído que na verdade não só nos ajude a pensar não a retração, mas a expansão das políticas públicas, como também o reconhecimento de mais pluralidade das necessidades dessas comunidades”.

 

 

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