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Com menos receita, orçamento do Flu prevê déficit de R$ 75 mi em 2017

30 de novembro de -0001
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A reformulação do futebol, feita em janeiro, com a saída de 30 jogadores e economia de R$ 15 milhões, ficou longe de resolver a situação financeira do Fluminense. Em previsão orçamentária enviada ao Conselho Deliberativo, a gestão Pedro Abad prevê um déficit de R$ 75 milhões em 2017. O rombo reforça a necessidade de buscar novas receitas, como um patrocínio master, e pode obrigar a venda de jogadores para equilibrar as contas. Enquanto isso não ocorre, o clube prepara medidas, definidas após uma auditoria externa da situação, para tentar sair do buraco.

O GloboEsporte.com teve acesso ao documento de 26 páginas enviado aos conselheiros tricolores – eles o votarão em sessão no próximo dia 30. Na peça, o clube já mostra trabalhar em conjunto com a Ernst & Young, empresa que indicou 10 ações para reverter o quadro, uma promessa não cumprida na época de Peter Siemsen. Na comparação com a previsão orçamentária de 2016, a receita caiu e a despesa aumentou no futebol – não é possível analisar o resultado financeiro da temporada passada, já que o balanço ainda não foi publicado. Por qual motivo? O clube elenca três principais: previsão mais realista, falta de patrocinador e contratos longos ainda a serem cumpridos.

A gente procurou fazer um orçamento extremamente pé no chão.
A premissa foi essa. Diferentemente do que já
ocorreu em anos anteriores, a gente procurou ser muito conservador. Isso obviamente impacta nesse resultado. Foi um trabalho mais minucioso, mais detalhado. O orçamento
passa a ser, mais do que nunca, uma ferramenta de gestão. Foi essa a lógica que
a gente tentou implementar. Há meta para os gestores de todas as áreas, para que haja
acompanhamento do orçado e do realizado. Todos os meses, com relatórios – explica Roberta Fernandes, CEO do Tricolor (leia a entrevista completa abaixo).

Peter, que encerrou uma gestão de seis anos em dezembro passado, sempre perseguiu o déficit zero. Só o alcançou em 2015, com ajuda da renegociação de dívidas via Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut). A atual previsão, elaborada pela direção de Abad, prevê o pior cenário dos últimos anos. Então, é imprescindível vender um atleta para equilibrar as contas?

Conforme disse o próprio presidente, a venda de jogador é uma
receita comum nos clubes, é importante, sem dúvida. Desde que alinhado com o
corpo técnico, ela precisa acontecer de fato. É uma receita que contamos para
fechar o ano. Oportunidades surgem o tempo todo. Há avaliação do presidente, do
comitê e do futebol. Mas é uma realidade, com o Fluminense não é diferente. Até porque estamos falando de
déficit significativo. É óbvio que vamos buscar outras frentes, como redução de
despesas, o que é uma meta. Se vai buscar novas receitas, se potencializa o
Sócio Futebol. Isso não significa dizer que não precisa de venda para fechar. É
claro que tem de ser criterioso, avaliado com calma. É preciso saber se é uma
oportunidade que salte aos olhos, que valha a pena. Ao vender um jogador, tem
de repor. Isso também tem de ser estudado – completa Roberta Fernandes.

Na previsão orçamentária, a receita extraordinária é de R$ 35 milhões, dez a mais na comparação com a temporada anterior. Gustavo Scarpa é o atleta mais valorizado, porém,  Douglas e Richarlison despertam atenção no mercado. Não há nenhuma negociação em andamento.

Confira o restante da entrevista:

Que peso a falta de
um patrocinador master tem na queda dos valores da previsão de receitas de
2017, em relação ao ano passado?

 

A gente adotou uma linha conservadora. Existe uma série de
cenários que não dependem da nossa vontade. Por isso, fomos pé no chão. Na
verdade, existe negociações em curso, sem processo concluído. A gente tem prospectado
uma série de potenciais patrocinadores e oportunidades. Mas não estão
concluídas. A gente parte da premissa pé no chão, não considera essas receitas,
mas não as incluiu no orçamento. Uma prova desse começo de trabalho é o fato de
que fechamos em tempo rápido com a Under Armour (nova fornecedora de material esportivo do clube). Isso está contemplado no orçamento, só
porque assinamos o contrato. Caso contrário, não estaria no orçamento. A lógica
está certa: a falta de um patrocinador contribuiu para a queda de receita. O
que não significa que estamos acomodados e que não temos a meta de melhorar
esse resultado.

 

Comparando a previsão
de despesas com o futebol para 2017 com o último ano, é possível ver que o
número aumentou. De R$ 205 milhões a R$ 209 milhões. Por quê?

 

Apesar de todo o esforço feito no começo do ano para a
redução da folha do futebol, o que impactou em queda de 10% dos direitos de
imagem, por exemplo, existem uma série de previsões contratuais que precisam
ser respeitadas. Temos contratos de longo prazo, com metas previstas. Tem
definições que precisam ser respeitadas. Isso, obviamente, impacta no nosso
custo fixo do mês com folha. Por mais que tenha havido a redução, que de fato
houve, caso contrário o valor seria maior, a gente ainda tem obrigações a
cumprir. Metas e reajustes serão respeitados.

 

Que peso tiveram as
contratações do fim do ano passado na previsão de despesas de 2017?

Essas contratações, por óbvio, tiveram influência
significativa. Por isso, a gente criou o comitê, para que as decisões sejam
tomadas de forma colegiada. Para que a gente possa perseguir o erro zero, o que
é muito difícil no futebol. Há coisas imponderáveis. O comitê divide
responsabilidade em com decisões colegiadas, vai ajudar a reduzir o impacto.

 

A previsão
orçamentária de 2017 é muito mais detalhada que a dos outros anos. Isso já é
influência da consultoria e auditoria da Ernst & Young?

 

Fico satisfeita de falar da Ernst & Young. Foi um trabalho conjunto
entre a consultoria e a nova gestão. Com o intuito de implementar um novo
modelo de governança, mais moderno. Ele não se limita ao orçamento, é só o
primeiro passo. Tivemos ajuda do corpo técnico, mas sem a Ernst & Young não teria feito o
trabalho desenvolvido em período tão curto. Vejo como fundamental a
participação deles. É o começo de um projeto maior, um projeto que vai fazer
revisão de contratos, de processos, vai trabalhar governança, controles
internos, política de cargos e salários, análise de fluxo de caixa, enfim, é
muita coisa. O Fluminense busca se profissionalizar, implementar medidas de boa
governança, que são fundamentais para a gestão. O trabalho está começando, mas
a gente já vê resultados na prática. A diferença no orçamento apresentado é
relevante. A equipe deles tem experiência no futebol, tem case de sucesso no
futebol.

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