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Jovens fazem preparação árdua para torneio mundial de ensino profissionalizante

30 de novembro de -0001
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Os jovens competidores brasileiros formam a equipe chamada Top One, alunos diferenciados, que foram campeões ou vice em seus estados e, no torneio nacional, obtiveram o índice para disputar as seletivas da WorldSkills.

O estudante sergipano Sérgio Alves, que competirá no Worldskills 2017, trancou curso e veio para Brasília se dedicar integralmente à preparaçãoMarcelo Camargo/Agência Brasil

Logo cedo, o estudante sergipano Sérgio Alves, de 19 anos, já está pronto para a primeira sessão de treinamento: 60 minutos de exercícios físicos ao ar livre. Após o café da manhã e banho, o jovem segue com os outros competidores para o centro de treinamento em Brasília, onde,  com a orientação de experts –  orientadores em cada uma de suas áreas de competição – realizam atividades para aprimorar suas técnicas e ampliar as chances de vitória para o Brasil.

Sérgio trancou temporariamente o curso de bacharelado em Sistema de Informação, na cidade de Estância, para estar em Brasília desde janeiro deste ano e passar pelo treinamento em um dos centros de referência montados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Para ele, o perfil competitivo e a vontade de aprender mais foi o que garantiu a sua vaga nesse grupo de elite.

O desafio de Sérgio só será conhecido no dia do Worldskills. Para ele, isso não muda muito a preparação. “Todo o treinamento te proporciona realizar as tarefas várias vezes, fazer a repetição de tarefas que acontecem verdadeiramente no quotidiano das empresas. Então, por fazer essas tarefas e cada vez melhorar o processo delas, acredito que a gente alcance o nível de perfeição na execução”, destaca.

Segundo Robert Knowles, analista de sistemas e expert na área de Sérgio, a preparação técnica do competidor segue o descritivo da ocupação do Worldskills. “Nós fazemos todo o nosso treinamento de forma que o Sérgio aprenda e desenvolva qualquer prova que possa surgir na hora, porque nossa prova é surpresa”, destaca. Para o expert, um dos maiores desafios na competição é o choque cultural.

Robótica móvel

Guilherme Rabuske, 19 anos, e Theodoro Flores Cardoso, 20 anos, representarão o Brasil na modalidade de robótica móvel. Os dois se formaram no curso de eletricista de manutenção, com ênfase em automação, no Senai, em dezembro do ano passado. O desafio no Worldskills da dupla é desenvolver um robô que identifique crianças em um playground e as devolva para seus respectivos pais.

Segundo Theodoro Flores, o desafio de sua área é definido a cada dois anos na competição. “No Worldskills 2017, essa tarefa será criar um robô que monitore de forma autônoma crianças em um playground. Esse robô tem que identificar cinco pais e cinco crianças, coletar essas crianças e devolver para os respectivos pais. Tanto os pais, quanto as crianças são aleatórios, para que o robô não saiba a posição deles”, explica. Theodoro diz que o processo é desafiador, mas a dupla está confiante.

Teodoro Flores e Guilherme Luiz Rabuski, que disputarão o WorldSkills 2017, se preparam para criar um robô que monitore de forma autônoma crianças em um playgroundMarcelo Camargo/Agência Brasil

Para Guilherme Rabuske, a evolução que eles tiveram durante todo esse processo é notável. Ele conta que se interessou por cursos técnicos por causa de seu pai. Guilherme fez um curso de ajustador mecânico e foi contratado, mas logo fez outro curso de aprendizagem em eletricista de manutenção. “Eu acabei gostando muito da área e, junto com o curso, eu acabei entrando na faculdade de engenharia elétrica”, diz.

Theodoro considera a escolha de um curso técnico muito proveitosa, além de ser um diferencial profissional, por causa da visão prática do funcionamento das coisas. “O ritmo de preparação é bem intenso, mas a gente tem assistência psicológica e passa por um processo de coaching [termo em inglês que designa um trabalho de formação pessoal com apoio de um tutor]”, declara.

De acordo com Paulo Viliger, engenheiro mecânico e expert da dupla, o planejamento para a competição abrange a preparação prática e comportamental e traz conhecimentos de edições passadas. “Eu estou nas competições do Worldskills desde 1997. A gente busca transferir esse conhecimento para eles, para que eles tenham o melhor desempenho possível em um ambiente que é desfavorável. Uma competição é sempre um ambiente de muita disputa e qualquer detalhe faz a diferença”, destaca.

Competição

Realizado a cada dois anos, a WorldSkills reunirá em Abu Dhabi, de 15 a 18 de outubro, 1.256 jovens de 68 países em 52 ocupações técnicas. Os competidores são estudantes de cursos de educação profissional de até 23 anos de idade no ano em que se realiza o torneio. Eles vão competir em 50 ocupações.

De acordo com Rafael Lucchesi Ramacciotti, diretor de Educação e Tecnologia da CNI, a disputa que já está em sua 44ª edição é o evento maior de educação profissional do mundo. Para ele, trata-se de uma oportunidade para que o país faça uma ponte de contato entre o público e as profissões mais valorizadas nas grandes potências econômicas. Além de aprimorar métodos de ensino nas escolas técnicas através da troca de conhecimentos com outros países que ocorre durante o evento.

Ensino técnico

De acordo com estudo, realizado pelo professor Gustavo Gonzaga, do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, profissionais que fizeram cursos técnicos têm um acréscimo na renda de 18%, em média, em relação a pessoas com perfis socioeconômicos semelhantes que concluíram apenas o ensino médio regular.

De acordo com o estudo “Educação Profissional no Brasil, uma avaliação com base no suplemento da PNAD-2014”, o maior ganho foi verificado entre ex-alunos de cursos técnicos do Nordeste: um aumento de rendimentos de 21,7% em relação a quem não fez ou não concluiu esse tipo de formação. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o ganho salarial de quem fez curso técnico alcançou 21,4% quando considerados todos os tipos de instituição. O estudo mostra ainda que os profissionais das regiões Sudeste e Sul que concluíram cursos técnicos têm, em geral, renda 15,1% superior a quem apenas concluiu o ensino médio regular.

O estudo também traçou o perfil das pessoas que fazem cursos de educação profissional no Brasil. O universo dos trabalhadores que concluíram um curso técnico está dividido igualmente entre homens e mulheres (50,4% de homens); a maioria identifica-se como branco (55,9%) e vive em cidades (95,8%), principalmente em regiões metropolitanas (39,8%). A maioria tem entre 25 e 44 anos (50,3%) e a maior fatia (75%) se situa nas faixas médias de renda familiar per capita – 1 a 2 salários-mínimos ou acima – enquanto essa renda se aplica a 44,5% entre aqueles que nunca frequentaram cursos de educação profissional.

Os benefícios dos cursos técnicos também aumentam com o tempo. De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, um técnico em mineração – um dos profissionais com formação técnica mais requisitados do mercado – tem salário inicial de R$ 2.185. Com 10 anos ou mais de carreira, o trabalhador nessa função tinha salário de R$ 10.105 em 2015.

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