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Henrique Eduardo Alves usou assessores para ocultar bens, diz PF

30 de novembro de -0001
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De acordo com o delegado de Combate ao Crime Organizado da PF no Rio Grande do Norte, Osvaldo Scalezi, o ex-ministro “continuou articulando para transferir parte de seus bens com o intuito de dar a entender que seu patrimônio estaria de acordo com as rendas por ele declaradas”.

O ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo AlvesFabio Rodrigues Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil

A investigação dessa suspeita levou a PF a deflagrar hoje (26) a Operação Lavat, um desdobramento da Operação Manus, que prendeu o ex-ministro em junho. Segundo a PF, durante a análise do material obtido na primeira operação foram encontradas “fortes evidências” de que pessoas ligadas à organização criminosa estariam dando continuidade à prática de crimes como lavagem de dinheiro e ocultação de valores “para o chefe do grupo”.

A polícia também identificou um esquema criminoso que fraudava licitações em diversos municípios do Rio Grande do Norte visando obter contratos públicos que, somados, alcançam cerca de R$ 5,5 milhões. Esses recursos teriam sido utilizados para alimentar a campanha de Henrique Eduardo Alves ao governo do estado em 2014.

Segundo o delegado Scalezi, assessores de Alves estavam fazendo lavagem de dinheiro para ocultar patrimônio do ex-ministro. “Um deles tinha controle especifico e amplo de boa parte dos bens do deputado, tratando sobre transferências de bens e contas bancárias. Era administrador e ocultador desses bens”.

O grupo ligado ao ex-ministro, de acordo com o delegado, conduzia de forma irregular algumas licitações, favorecendo empresas ligadas ao esquema e prejudicando as concorrentes. “Ele [Alves] continuava articulando, usando empresas para de forma fraudulenta, para que recebessem valores que foram distribuídos a assessores e ao próprio deputado”. Henrique Eduardo Alves foi deputado federal por 11 mandatos consecutivos e chegou a presidir a Câmara entre 2013 e 2015.

Um dos mandados de busca da apreensão da Operação Lavat foi cumprido na sede da Inter TV Cabugi, em Natal, na sala de Herman Ledebour que, segundo a PF, é um dos assessores de Alves. Os investigadores esclarecem que a emissora não é alvo da operação. “O mandado que foi cumprido no prédio não tem nada a ver com a atividade da imprensa. A investigação não centra na pessoa jurídica. Foi apenas uma busca e apreensão no local físico”, explicou o delegado.

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